sábado, 14 de fevereiro de 2015

dois meses

Maria Carolina completou dois meses. viva!

e me parece que as cólicas estão diminuindo, o choro não é mais constante e o sono, pelo menos a noite, está melhor... é porque de dia ela quase não dorme, a não ser que esteja no colo.

na consulta com a pediatra ela tirou nota 10, já está mais calma, mais risonha, cresceu 3cm (está com 57cm, nasceu com 48) e pesa 4,365kg!! orgulho de mamãe!!!

e sim, continuamos no peito e só no peito, amamentação exclusiva e por livre demanda... pelo menos isso, que não tem tanta influencia dos outros, eu consegui, é minha conquista, minha única e exclusiva conquista... eu posso, eu amamento a minha filha!!!




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Desespero de uma mãe de primeira viagem

Maria Carolia chora incontrolavelmente por horas e eu já não sei mais o que faça, cheguei a ficar sentada por mais de duas horas seguidas com ela no peito, revezando cada peito e colocando-a para arrotar... já me perguntando: essa menina não tem fundo? não fica saciada? 
E era só tirar do peito e arrotar que o choro recomeçava... e todos ao meu redor me olhavam torto e eu não tinha nem coragem de colocar a cara pra fora do quarto, quiçá pra fora de casa, com uma criança que mais se esgoela do que dorme. juro! Maria Carolina quase não dorme, quando muito, a noite, mas acorda a cada duas horas.

E foi aí que resolvi procurar um gastropediatra, porque além de tudo, eu desconfiava que os tais gorfos não eram normais, tinha algo de estranho. 

Na sala de espera do consultório começou a minha aflição: Maria Carolina era a única bebê, todos os outros eram crianças maiores... E nós não seríamos os primeiros, somando-se ao fato de que o médico se atrasou, pra aumentar a minha angústia... Como não seria diferente, lá pelas tantas era hora do mamá, sem cerimônia peguei minha filha no colo, peito de fora e pronto, rezando para que fôssemos logo chamados. Mas que nada! Ficamos uma hora nessa mamada e foi só tirá-la do peito que... PUMBA, começou o berreiro... E não houve meio dela sossegar, passei pro pai que ficou as voltas com ela, até que a secretária do médico resolveu nos passar na frente, pra alívio meu e dos outros pacientes... Ufa!

No consultório o médico viu o desespero e foi logo dizendo: é fome! Pronto, voltei com ela pro peito e soltei toda a minha angústia, pois não era possível, ela acabara de mamar... Até que o médico veio, apalpou minha mama e disse que ela não estava secando direito, que ainda restava leite e me ensinou exercícios e a ordenha para que eu fizesse enquanto dava de mamar e nos intervaloss. E mesmo assim, vendo a minha aflição, ele me pediu que complementasse a noite, para que eu pudesse descansar e dormir melhor... ~não gostei dessa conversa de complementar, mas se é para o nosso bem, vamos tentar~! 

Quanto ao refluxo, ele está quase convencido que se trata de refluxo fisiológico, aquele que toda criança tem, não tendo motivo para desespero, apenas pediu que observássemos.

Saí da consulta mais aliviada, já que ele disse não se tratar de refluxo e que o choro era fome, o que eu não tinha engolido direito, mas sendo mãe de primeira viagem, tive que acatar.

À noite, depois da mamada, providenciamos o tal complemento na esperança de que pudéssemos dormir melhor, mas que nada, Maria Carolina acordou de hora em hora, aos prantos. Desisti do complemento, definitivamente isso não é fome e sim cólicas.

Cansei de ouvir, de minha própria mãe inclusive: teu leite é fraco, dá logo uma mamadeira pra essa menina, ela está com fome... E fui firme até o dia em que minha prima chegou da Dinamarca e, como ela já tinha criado uma filha e já estava no segundo (ambos na mamadeira, ela não teve paciência e leite suficiente), aceitei dar uma mamada de complemento quando ela viu minha filha aos prantos e disse: ela está com fome, dá um complemento e observa... 

Meu coração dizia que não era fome, mas eu dei... Ela continuou a chorar mas sossegou até que dormiu... É nesse meio termo eu pude testar a bomba elétrica da medeia que essa prima trouxe pra mim, uma beleza de bomba. 
Já que consegui tirar meu próprio leite, quando acabava do peito, complementa mais um pouco, mas mesmo assim os choros continuavam e aquilo me afligia do mesmo jeito... Até que desisti... 

Desisti de lutar contra o choro e passei a ouví-lo, com ela agarrada a mim, às vezes ~quase sempre~ com ela no meu peito até que sossegasse...

E foi aí que resolvi ser mais flexível e oferecer a chupeta, para que ela não ficasse tão estressada e pudesse dormir durante o dia, já que tirando do peito ela precisaria arrotar e aí o choro muitas vezes recomeçava... 

Até que os dias se passaram e ela foi chorando menos, bem menos... E eu estava certa, não era fome, são as temíveis cólicas que a maioria das crianças enfrenta, umas mais, outras menos... E eu me senti aliviada, porque eu estava certa, meu coração estava em paz por agir certo. 

Aí as noites melhores vieram e Maria Carolina passou a capotar por volta das 19h e só acordar a 24h e depois as 4h e de manhã, para o alívio principalente do pai que já nem vê mais os horários de mamada...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

sobre amamentação...

é difícil, muito.
dói, na carne e na alma.

mas mesmo assim, estou persistindo há quase um mês, sei que é para o nosso bem.
não tivemos nossa hora de ouro e nem a mamada na primeira hora de vida, o que me deixou bastante depressiva, talvez por isso eu tenha insistido tanto em amamentar no peito exclusivamente.
mas isso cansa, muito.

já usei bomba para retirar o leite e oferecê-la no copo, mas confesso que no desespero de alimentá-la e cessar o choro, usei a mamadeira, umas três vezes, que foram suficientes para que ela se irritasse quando voltou a pegar o peito.

leite complementar? ofereci sim, uma vez, já que ela mesmo mamando continuava a chorar incontrolavelmente e eu simplesmente não sabia mais o que fazer.

ela quase não dorme, diferente de outros recém-nascidos que escuto falar.
ela quando não está no peito, está aos prantos. descobri que muito deste choro são as cólicas, os gases.
aprendi a abstrair o choro, ofereço peito, embalo, entrego pro pai ou pra avó.

já tomei litros de chá de funcho, há mais de 25 dias que tomo, no mínimo, dois litros por dia.
ela usa colikids, prescrito pela pediatra desde o 7o dia de vida, e nada.
já parti para a funchicória em pó e confesso que não notei lá essas melhoras.

sim, tenho tentado ao máximo não oferecer mais nada além do meu próprio leite, mas tem horas que me questiono se isso vale realmente a pena, já que o choro dela é quase que incontrolável por horas seguidas... muitos de nós, eu mesma, não mamei exclusivamente no peito, tomei complemento e até hoje estou viva... certo que com algumas deficiências, e problemas que não sei se se relacionam com a questão do aleitamento, mas estou viva...

até onde conseguirei ir?
meu lema?
só por hoje... sómpor hoje eu não vou desistir, só por hoje eu não vou entregar os pontos, só por hoje eu vou continuar persistindo, só por hoje eu vou oferecer o peito...

domingo, 14 de dezembro de 2014

(PAUSA)

viemos pra casa
preciso de um tempo
me adaptar a ela
adaptá-la a mim
aprender a dar de mamar
fazê-la aprender a pegar

curar essa cicatriz
cesárea indesejada
desnecessária
sensação de impotência
movimentos limitados

preciso de um tempo 
pra mim
pra ela

outra hora eu volto
até. 


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

40 semanas e...

uma cesárea indesejada.
sentimento: frustração. impotência.
não sei se sou, mas me sinto sim vítima desse sistema cesarista que está posto em nossa sociedade.
médicos sentem-se deuses.
mulheres grávidas são doentes que precisam de cirurgia.
alguns vão ver como exagero de mulher recém parida, que os hormônios estão desregulados. mas não, não é. a minha escolha não foi respeitada.

passei a gravidez inteira estudando, lendo, debatendo, participando de grupos sobre o parto natural, minha médica se dizia adepta, mas de que forma? adepta até as 40 semanas? quando sabemos que uma gestação pode ir até 42 semanas? 

fiquei tão descontrolada, quando, sem qualquer motivo, minha médica disse: arruma tuas coisas que vou te internar hoje. como assim? não entrei em trabalho de parto...
o desespero foi tamanho, era impossível eu conter o choro, eu não tinha a menor condição, consegui mais um dia, arranjei, pra ontem, uma médica que fizesse uma ultrassonografia com Doppler que confirmava estar tudo bem com minha filha, não havendo nenhum indicativo de cesárea... e não havia, minha barriga ainda estava alta, eu só tinha 2cm de dilatação, mas não tinha contrações, apenas leves cólicas.

do dia 10 não passou. questionei, chorei, quase implorei... fui colocada à disposição para procurar outro profissional, mas como? com 40 semanas, quem iria me atender...? 
tenho certeza que ouvi coisas desnecessárias... do tipo: ela já tem 3,400kg, vai normal?
meu coração dizia que não era hora mas... eu cedi, com medo, de tanto ouvir: pra que esperar mais se ela já está formada? tudo pode mudar, ela foi tão esperada, é tão amada, hoje está bem, mas num piscar de olhos pode não estar mais... e aí? 

até outra médica conhecida se achou no direito de vir, sutilmente, deixar sua opinião a respeito da indução do parto, das 40 semanas... desnecessária a vinda desta pessoa.

me internei, sem forças para ser contra, apenas pedindo a Deus para entrar em trabalho de parto... o que não aconteceu... já com 5cm de dilatação começou a ocitocina... que não fazia efeito nenhum... trocou-se por outra dose e nada, e mais uma dose e nem sinal de baixar a barriga ou contrações... até que eu tive reação, comecei a me tremer incontrolavelmente...

e foi então que, já de madrugada, veio o discurso: fiz o que pude, do jeito que você quis, mas não era pra ser, agora você precisa decidir.

decidir o que? eu não poderia mais voltar pra casa... minha única saída era render-me a cesárea...
é assim foi feito... minha sensação? tristeza profunda. parecia que eu me preparava para um funeral, sim, essa foi a minha sensação...

e seguiu-se a violência, meu marido foi chamado a atenção sobre a proibição de filmar o parto, minha doula foi deixada de lado, tive apertos fortes para me segurar na hora da anestesia, o anestesista puxava com toda a força o acesso do soro que já vinha incomodando desde o quarto e o puxão dado por ele só fez doer mais, mas a essa altura do campeonato nada mais doía tanto quanto o fato de ter que me submeter a uma cesárea... não bastando tudo isso, minha filha nasceu e foi levada para longe, ninguém respeitou a nossa hora de ouro, não me dera ela para que pudéssemos ter o primeiro contato, pelo contrário, mesmo com o teste de apgar dando 9, ela foi levada para os procedimentos de "rotina"... e eu fiquei ali, sozinha, deitada... chorando.

não sei se me recupero. dói, muito. me senti de mãos atadas. me senti impotente. 

nem aquela história de que "você não é menos mãe porque fez uma cesárea", ou "foi a vontade de Deus, tudo o que Ele faz é bem feito, o que importa é que ela nasceu saudável"..., não é suficiente para acalmar meu coração...